Carimbos desviam jovens de sua essência

“No início da vida, a família, os irmãos, os amigos, os colegas são corrimãos a apoiar nossos passos incertos. Contudo, depois de alcançada certa maturidade, nossa inteligência impõe-se criativa, naturalmente sem desorganizar o precedente em modo danoso a si ou aos demais”, cita a doutora em gêneros e pesquisadora Alice Schuch ao defender que adaptações constantes aos pequenos não convém, pois estes no geral refletem mais quem os colocou do que a real natureza. “Tantas vezes nos acomodamos, tomamos a estrada mais curta e asfaltada, não era aquela e por isso a vida não funciona para nós”, mostra.

Alice Schuch explica que a criança, chegando ao mundo, vai sendo carimbada: é bela, parecida com a tia, é a cara da avó, é igual ao pai, é uma princesa, é um príncipe… Na escola, outros carimbos vêm: estudiosa, inteligente, futuro brilhante ou – ao contrário – não tem futuro. “Entre os amigos, no grupo social, e assim, por viver tantos timbres, um dia a casa cai: aquela do timbre não sou eu!”, sinaliza.

O processo de globalização em curso, refere o filósofo Antonio Meneghetti, se de um lado contribui para estender a cultura cibernética, por outro lado significa uma ocasião para mostrar um horizonte mais amplo, novas provocações criativas em que se dá cultura e responsabilidade para a contínua criação: “o terciário da globalização rompeu os freios das defesas tradicionais do núcleo familiar, aportando em troca notáveis vantagens e instrumentos para os indivíduos”.

Alice Schuch observa, então, que o mundo fica mais rico na medida em que se desperta e se desenha o próprio itinerário evolutivo que não somente é possível como já está previsto pelo projeto base da natureza.

“Aí está a ocasião de aprender a ver-se, desinvestir-se as antigas marcas e jogar fora as memórias do passado, porque a vida é sempre ativa, está sempre renovando. Nesse momento, segundo a obra Feminilidade como Sexo, Poder e Graça, sentimos o frescor da existência e logo já somos outra pessoa: adquire-se uma nova roupagem que faz começar um profissionalismo diverso”, completa Alice Schuch.

A doutora convida: “o momento é agora… Não, não sou um príncipe ou uma princesa, mas como refere Carl Rogers: aquilo que sou é suficiente se realmente consigo sê-lo”.

Comente com Facebook