Trump anuncia visita à fronteira e pronunciamento à nação para defender muro

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (7) que visitará na próxima quinta (10) a fronteira com o México, em meio ao impasse com democratas envolvendo o financiamento do muro que o republicano quer construir no local – e que agora pode ser de aço, e não de concreto.

A queda de braço entre os dois lados provocou uma paralisação que entra em seu 17º dia e atinge 25% do governo. São 800 mil funcionários de licença ou sem receber pagamento, enquanto parques nacionais estão fechados – três mortes por acidentes foram registradas até agora.

Trump anunciou que vai fazer um pronunciamento à nação sobre a paralisação na noite desta terça (8).

O anúncio da viagem do republicano foi feito pela porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, em mensagem em uma rede social. Segundo ela, Trump vai viajar para a fronteira sul na quinta para se encontrar com os que estão na “linha de frente das crises de segurança nacional e humanitária.”

Trump visitou a fronteira como presidente pela primeira vez dez meses atrás. Na ocasião, ele analisou protótipo de aço e concreto que poderiam ser usados para construir o muro na Califórnia.

Desde sexta (4), no entanto, o republicano parece pender para a ideia de um muro de aço, em vez de uma estrutura de concreto.

“Eu informei a meus colegas que vamos construir uma barreira de aço”, disse Trump na Casa Branca, após voltar de um encontro com autoridades em Camp David. “Eles não gostam de concreto, então vamos dar a eles aço”, acrescentou, em referência aos democratas.

Nesta segunda, Mick Mulvaney, chefe de gabinete interino de Trump, afirmou que, apesar de achar que a paralisação vai durar “muito mais tempo”, a mudança de materiais anunciada pelo presidente poderia ajudar a avançar nas conversas.

“Se ele tiver que desistir de um muro de concreto, substitui-lo por uma cerca de aço para que os democratas possam dizer ‘viu? Ele não está mais construindo um muro’, isso nos ajudaria a mover na direção certa”, afirmou Mulvaney à emissora NBC. “Se isso não for uma evidência do desejo do presidente de tentar resolver isso, não sei o que é.”

No domingo, o escritório de gestão e orçamento divulgou um plano com os US$ 5,7 bilhões (R$ 21,29 bilhões) para a construção de uma barreira de aço na fronteira e que incluía US$ 800 milhões (R$ 2,99 bilhões) para enfrentar “necessidades humanitárias urgentes”, como tratamento médico. A proposta contemplava ainda recursos para providenciar 52 mil camas de detenção e dinheiro para contratar 2.000 agentes de fiscalização.

Durante o fim de semana, democratas e republicanos se reuniram novamente para tentar aproximar as posições sobre o financiamento ao muro – condição a que os primeiros se opõem e da qual o presidente não abre mão.

O presidente qualificou as conversas como “produtivas”, mas lembrou que, se os dois lados não chegarem a um acordo sobre os US$ 5,7 bilhões que ele exige para a construção do muro, ainda considera declarar emergência nacional para erguer a barreira, usando outros recursos do governo.

Já os democratas não viram progressos nas negociações. Eles querem que o governo seja reaberto antes que as conversas sobre segurança na fronteira comecem.

“Não há exigência que esse governo fique paralisado enquanto nós deliberamos sobre o futuro de qualquer barreira, seja uma cerca ou um muro”, afirmou o senador democrata Richard Durbin, de Illinois, à emissora CBS.

Enquanto o impasse persiste, democratas, que assumiram na última quinta o controle da Câmara dos Deputados, acham que podem levar as negociações a um novo patamar. A presidente da Casa, Nancy Pelosi, afirmou que começaria a considerar leis individuais nesta semana que poderiam reabrir o governo, começando com uma que possibilitaria o retorno de trabalhadores para o Departamento do Tesouro.

Haveria ainda medidas para reabrir o departamento de Agricultura, Habitação e Desenvolvimento Urbano e Interior.

São propostas com pouca chance de passar no Senado, sob controle republicano. O líder do partido na Casa, Mitch McConnell, de Kentucky, já afirmou que não colocaria em discussão qualquer legislação sem chance de ser aprovada por Trump.

No entanto, há rachas dentro do próprio partido republicano envolvendo a paralisação. Três senadores da legenda – Susan Collins, do Maine, Cory Gardner, do Colorado, e Thom Tillis, da Carolina do Norte – pediram publicamente a reabertura do governo.

Dois outros senadores, Lamar Alexander, do Tennessee, e Pat Roberts, do Kansas, anunciaram que não tentariam a reeleição em 2020 para não terem que enfrentar a consequência eleitoral da atual paralisação.

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